A canção não tenta nomear o sentimento — e esse é o ponto. "Alguma coisa em você me deixa insano, tira minha paz." Não é amor ainda, não é só desejo — é algo anterior a qualquer classificação. Uma força que age antes que se tenha palavras para ela.
A imagem da lua é central: "Como a lua você me distrai, desperta algo que eu senti jamais." A lua não pede atenção — ela simplesmente está lá, e arrasta as marés. A pessoa amada tem esse mesmo poder: não faz nada deliberadamente, mas muda tudo à sua volta.
O eu lírico tenta fugir, tenta evitar, mas fica cego quando tenta ver, perde a direção quando tenta se afastar. "Para mim veleiro, você é um cais" — não é prisão, é porto. Um lugar onde o barco para, descansa, encontra direção.
