EDITORIAL

O que importa é viver: um manifesto contra a banalização das perdas

Escrita no auge do luto coletivo da pandemia, a música recusa o relativismo e coloca a vida no centro.

MúsicaEditorial1 de janeiro de 2021

Escrita e lançada em um período de luto coletivo, a música nasceu como reação direta à banalização das perdas e à indiferença que começa a surgir quando números muito altos se repetem todos os dias. A mensagem reconhece o limite do indivíduo diante de decisões estruturais — vacinas, medidas de saúde pública, proteção social —, mas reforça o que ainda está ao alcance de cada pessoa: cuidado, responsabilidade e escolhas diárias para preservar a vida.

A letra transforma esse contexto em um manifesto simples e direto: o que importa é viver — respirar, recomeçar, abraçar quem se ama e reconstruir depois. Em vez de romantizar perdas ou relativizar sofrimento, a canção desloca o foco para o valor irreversível da vida, acima de disputas, pressas e interesses que tentam normalizar o inaceitável.

Anos depois, a música segue atual justamente por não estar presa a um único momento: em meio a conflitos, dificuldades e turbulências no mundo, ela reafirma um apelo de paz e esperança — cuidemos de nós mesmos e de quem amamos, para que dias melhores sejam possíveis.

O refrão como âncora

"E o que importa é viver / Estar vivo / E o que importa é viver / O resto eu consigo." A força está na simplicidade: não é o que importa é vencer, não é conquistar — é estar vivo. Tudo o mais se reconstrói. Quem se foi não volta jamais — e é essa irreversibilidade que torna a vida o único bem que não admite compensação.