Capa de Solstício

Solstício

Dhinho Vaz · 17 de fevereiro de 2026 · 4 faixas

SOLSTÍCIO usa a virada de ciclos (tempo, luz, recomeço) como metáfora para questionar hábitos, narrativas e certezas — e lembrar que existe vida (e sentido) fora de uma única lente cultural.

O ano acaba

Brilham luzes nas casas

Nas ruas, nas praças

Em todo lugar

É sinal que

Tudo vai recomeçar

O universo vibra

Dita o ritmo da alma

Essa energia é vida

Essa energia nunca acaba

O ano que se encerra

No final de uma volta

Faz mudar o calendário

Nos faz lembrar do que importa

O tempo acaba

Brilham luzes nas casas

Nas ruas, nas praças

Em todo lugar

É sinal que

Tudo vai recomeçar

Falar de Deus

Vestir de branco

Rezar na igreja

Pular as ondas

Doar aos pobres

Isso te faz nobre... será?

Pousar pra fotos

Perdoar

Pedir perdão

Seguir em frente

Dizer que ama

Reacender a chama

E a família como anda

Fazer novas promessas

Preces pra tudo se realizar

Esquecer toda a pressa

Que apressamos pro ano passar

O tempo acaba

Brilham luzes nas casas

Nas ruas, nas praças

Em todo lugar

É sinal que

Tudo vai recomeçar

O ano acaba

Brilham luzes do nada

Nas ruas, nas praças

Em todo lugar

Tudo igual

Tudo vai recomeçar

Poder acordar

Abrir os olhos, enxergar

Ter mais uma chance

Pra recomeçar

Poder respirar

Dar uma volta, conversar

Ter mais uma chance

Abraçar quem a gente amar

Viver é bom, viver não tem preço

Viver é o que há, o resto eu ajeito

Esqueça o mercado, esqueça esse deus

Cuida da vida, cuide dos seus

E o que importa é viver

Estar vivo

E o que importa é viver

O resto eu consigo

Fazer tudo de novo

Fazer diferente

Fazer um retorno

Ou seguir em frente

Não dá pra ignorar

Fingir que não acontece

A vida está sendo tirada

A gente não merece

Paremos de sofrer

Defender o carrasco

O que importa é ficar vivo

Quem se vai não volta jamais

E o que importa é viver

Ficar vivo

E o que importa é viver

O resto eu consigo

Em tempos de paz armada

Em tempos de paz simulada

Estamos fingindo a paz

Uma trincheira pra cada mal

Normal!

Em tempos de paz armada

Em tempos que o tempo mata

O clima está contra nós

Pouco a pouco sobrará só o pó

E só

O dinheiro está acabando

Estamos sempre simulando

A paz que não há mais!

Inverno quente

Sem amor à gente

O vento está contra nós

Intensamente

Ódio à gente

A espada está contra nós

Em tempos de paz armada...

Nosso tempo está acabando

A natureza está cobrando

Uma paz que não há mais!

Quanto tempo falta

Pra gente dar as mãos

Quanto tempo resta

Pra unir nossos corações

Um só planeta, uma raça

O mesmo sol e mesma África

Somos todos irmãos

Correndo pro abismo

Marchando às cegas

Nunca estivemos tão só

Terra, calor, paz, casa, peixe, pão

Quem ama se doa pelo próprio irmão

Cama, chama, carro, moto, trem

Sorte, amizade, fruta e um parabéns

Papel, caneta, giz de cera

Som, tv, imagem

Relógio, bússola, bicho de pelúcia

Humor e uma passagem

Um rim para alguém

Mesmo que você fique sem

Assim o bem

Vai ser para você também

Então quem ama?

Me diz

Quem ama?

Quem ama?

Quem ama?

Quem ama doa tudo

Quem ama doa mesmo no escuro

Amor, dor, sangue

Roupa, sopa, mangue

Luz, vida, a própria vida

Quem ama doa

Quem ama doa

Dhinho VazComposição · Voz · Produção musical · Mix · Master · Capa/Arte · Distribuição · Fotografia